MOÇÃO
Homenagem pelos 120 anos de nascimento de Antonieta de Barros
Vereadora Marlina enalteceu a contribuição e a luta da primeira deputada catarinense e negra do país para o movimento negro e os direitos da mulher
por Assessoria de Imprensa Câmara de Brusque 17/07/2021 às 05:04
Foto: Aline Bortoluzzi/Imprensa Câmara Brusque

A Câmara Municipal de Brusque aprovou na terça-feira, 13 de julho, o envio de uma mensagem à família de Antonieta de Barros (1901-1952) como reverência aos 120 anos de nascimento da primeira deputada catarinense e negra do Brasil. A iniciativa – oficializada por meio da Moção nº 127/2021, da vereadora Marlina Oliveira Schiessl (PT) - recebeu nove votos favoráveis. 

Personalidade de reconhecida trajetória, Antonieta nasceu em 17 de julho de 1901, em Florianópolis. Além de se engajar na política, também foi professora, escritora e jornalista. A moção registra que o objetivo da homenagem é “manter viva a história desta figura a frente de seu tempo, que se destacou na sociedade, e de seu papel na luta do movimento negro e dos direitos da mulher”.

Na tribuna, a vereadora justificou os motivos da proposição. “Reporto-me a uma mulher negra, pobre, pessoa comum, que nasceu e viveu em Florianópolis, uma das ilhas mais bonitas da bela e Santa Catarina. Viveu 50 anos, entre 1901 a 1952. Foi uma existência curta, mas marcada pela resistência e iniciativas admiráveis para vencer os obstáculos de um momento histórico-social muito manchado pelos ranços do preconceito e do entulho brasileiro da vergonhosa escravocracia”, disse. “[Antonieta foi] alguém que fez um pouco mais do que o necessário, enfrentado adversidades e um cipoal de dificuldades de um Estado discriminatório e de uma sociedade submetida ao coronelismo populista e de feitio autoritário”, acrescentou.

A parlamentar citou a “infância e adolescência sofrível e anônima” de Antonieta, bem como sua alfabetização, “numa época em que estudar era uma condição reservada aos homens, especialmente aos próceres das camadas mais altas da sociedade”. Ela mencionou, também, que Antonieta “foi pioneira e inspiração para o movimento negro, apesar de um grande apagamento de sua história”. 

“No parlamento, na imprensa e no magistério, aparece como ativa defensora da emancipação feminina, da educação de qualidade para todas e todos e pelo reconhecimento da cultura negra, em especial no Sul do Brasil. Antonieta serviu aos estudos cursando regularmente o ensino básico na escola Lauro Müller e aos 17 anos começou sua trajetória como normalista, concluindo o curso normal do magistério em 1921. Já em 1922, ela cria o curso particular Antonieta de Barros, voltado para a alfabetização carente. Pretendia seguir o ensino superior, mas este, à sua época, era reservado aos homens. Depois de se tornar professora, passou pelo colégio Coração de Jesus e também pela escola normal Catarinense, da qual foi diretora entre 1944 e 1951, e foi exonerada por motivos políticos em 1951. Além de professora, atuou como jornalista, destacando-se pela coragem de expressar suas ideias dentro de um contexto histórico que não permitia às mulheres a livre expressão. Participou ativamente da vida cultural do estado. Fundou o jornal A Semana, dentre outros. Nesse período, por meio de crônicas, veiculava suas ideias, principalmente aquelas voltadas à questão da educação e dos desmandos políticos, da condição feminina e do preconceito”, emendou Marlina.

A vereadora lembrou, ainda, que Antonieta escreveu, em 1937, seu primeiro livro, intitulado “Farrapos de Ideias”, sob o pseudônimo de Maria da Ilha. “Foi o primeiro livro publicado por uma mulher negra em Santa Catarina”, frisou a oradora. “Antonieta representa a resistência da escrita feminina e a presença da mulher escritora na literatura da Ilha de Santa Catarina”, prosseguiu.

“Em 1934, acontece a primeira eleição em que as mulheres puderam votar e serem votadas no Brasil, e ela concorreu a uma das vagas de deputada estadual à Assembleia Legislativa, [tendo sido eleita para o mandato] de 1935 a 1937. Foi a primeira deputada estadual mulher e negra do país e uma pioneira no combate à discriminação de negros e de mulheres”, ressaltou Marlina. “Foi constituinte em 1935, sendo responsável pelos capítulos de Educação e Cultura e Funcionalismo. Em julho de 1937, presidiu a sessão da Assembleia Legislativa e se torna a primeira mulher a assumir a presidência de uma assembleia no Brasil. Seu mandato termina com o início do Estado Novo, que fecha os parlamentos de todo o país. No retorno à democracia, ela foi deputada estadual de 1947 a 1951, sendo novamente única no parlamento. Foi autora de leis como, por exemplo, a que instituiu o Dia do Professor e o feriado escolar no estado de Santa Catarina. A data escolhida, 15 de outubro, refere-se à promulgação da primeira grande lei educacional no Brasil”, salientou.   

Assista ao pronunciamento de Marlina sobre Antonieta de Barros na íntegra:

Assuntos: Política
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