VISIBILIDADE
Fórum Brusquense da Mulher Negra promove debates sobre a presença da mulher negra em espaços sociais e homenageia personalidades
Primeira edição do evento foi inspirada no Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra
por Assessoria de Imprensa Câmara de Brusque 19/07/2021 às 18:46 Atualizado em 19/07/2021 às 18:47
Imagem: Divulgação

Com o tema “A presença da mulher negra nos espaços sociais e de tomada de decisões”, a Câmara Municipal de Brusque realizou na última sexta-feira, 16 de julho, o I Fórum Brusquense da Mulher Negra (I FBMN) - alusivo ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra e ao Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, ambos comemorados oficialmente em 25 de julho. 

Proposto e presidido pela vereadora Marlina Oliveira Schiessl (PT), o evento aconteceu de forma híbrida, com algumas atividades presenciais e outras online, e foi aberto ao público, com limite de ocupação de 50% da galeria do plenário e o acesso condicionado à ordem de chegada e ao uso de máscaras e outras medidas de prevenção ao novo coronavírus (Covid-19).

“Esta é uma noite na qual teremos a oportunidade, primeiro, de inscrever uma discussão extremante importante em nosso município, que é a questão das mulheres negras na sociedade brasileira, e, em segundo lugar, estabelecer um marco importante da luta antirracista, dialogar, tirar do lugar de silêncio, trazer ao centro do debate e olhar com criticidade a partir de algumas reflexões”, ressaltou a parlamentar ao abrir as atividades do fórum.

  Compuseram a mesa dos trabalhos, além de Marlina, Shay Ferreira, representante do movimento negro e dos movimentos comunitários e estudantis, Isabel Cristina Francisco, representante do segmento têxtil brusquense, Silvania Leal de Souza, do segmento educacional, e Janaina Antônia Cavalcante Garcia, do setor artístico municipal. 

Mística e homenagens

O fórum teve início com uma mística de abertura conduzida de forma online pela professora Josefina Silva Boscia, membro da diretoria executiva da CUT/SC, do Coletivo Negras Petistas/SC e presidente do PT em Joaçaba/SC. 

A programação de abertura continuou com uma reverência aos 120 anos de nascimento de Antonieta de Barros (1901-1952), professora, escritora, jornalista, uma das primeiras mulheres a ocupar um cargo eletivo no Brasil, primeira deputada negra de Santa Catarina e do país. Na oportunidade, Marlina mencionou a biografia “Antonieta de Barros”, de autoria de Jeruse Romão, última produção literária dedicada às memórias da histórica personagem.   

Em seguida, as professoras Lúcia Francisco Cipriano e Umbelina Francisco de Mendonça, presentes à solenidade, foram homenageadas com moções de destaque pela excelência dos serviços prestados por ambas à Educação e também por serem integrantes de uma das primeiras famílias negras de Brusque. Elas são filhas de Petronilha e Orgino Domingos Francisco, que ficou conhecido popularmente como Ginoca. 

Debates

No decorrer da noite, quatro debatedoras propuseram reflexões relacionadas à temática central do I FBMN. A socióloga e professora Vilma Reis, integrante do Coletivo Mahin e mentora do Coletivo Feminista contra o Feminicídio, falou sobre “O que desejam as mulheres negras? O que anunciam as suas presenças nos diferentes espaços sociais? Um olhar para o Levante Feminista Contra o Feminicídio no Brasil”. Ativista do movimento negro, Shay Ferreira foi a única a se apresentar presencialmente, abordando “Os nomes do racismo”. Cirene Cândido, do Coletivo Negras Petistas/SC, discorreu sobre “A organização política das mulheres negras em Santa Catarina - As mulheres e os espaços políticos”. Por fim, Vanda Pinedo, secretária estadual de combate ao racismo do PT/SC, defendeu que as “Mulheres Negras resistem e lutam por uma sociedade em que o bem viver seja um direito a todas e todos”.

Arte no plenário

As artistas Rívia e Tay Guedes animaram o fórum interpretando canções autorais e outras do repertório da música brasileira, enquanto que o projeto fotográfico “Narrativas Negras” - proposto por Nubia Abe e contemplado com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (Lei no 14.017/2020) - exposto no plenário, ilustrou o plenário com imagens que buscam destacar o protagonismo de mulheres negras no cotidiano brusquense. 

Encaminhamentos

Antes de encerrar o I FBMN, Marlina abriu a palavra ao público e, a partir de algumas declarações, elaborou os encaminhamentos do evento. “O primeiro deles é a abertura do espaço do diálogo, é a importância de momentos como este que vivenciamos, onde experiências foram compartilhadas e personalidades locais e estaduais foram reconhecidas, onde referencial foi dado tanto à população de mulheres negras como à população em geral. O espaço do diálogo é importante e é um encaminhamento que fica. O debate inicia com este fórum, está aberto e permanente”, disse. 

“Outro encaminhamento é quanto à criação de políticas públicas municipais que combatam fortemente o racismo. É preciso que se cumpra a Lei [Federal] no 10.639/2003 [sobre a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana] no âmbito do município de Brusque. É preciso que se tenha uma educação antirracista, que sejam formados professores para a perspectiva da educação étnico-racial, que crianças negras e brancas aprendam, conheçam e reconheçam a beleza da diversidade e da diferença em espaço educacional. O cumprimento da Lei no 10.639/2003 é um direito das crianças e dos adolescentes. É tempo de tirarmos do papel o que consta nas diretrizes [e bases da Educação nacional] e o constituirmos em práticas dentro das escolas”, acrescentou a vereadora.

“O racismo adoece a pessoa negra, adoece as pessoas. Que políticas de acolhimento nós temos nessa perspectiva? Numa sociedade racista, a somática e as causas do racismo não são, muitas vezes, consideradas em Saúde Pública, não são considerados os danos que o racismo causa às pessoas negras e não temos políticas de assistência, de acompanhamento, em relação a essa questão. É importante pensarmos e levantarmos esse debate em torno das políticas públicas no que diz respeito à saúde mental”, prosseguiu a parlamentar. 

“Arte e Cultura é um campo onde podemos educar. A Cultura tem um papel imprescindível na humanização, em dar visibilidade, em educar também para a diversidade, a partir do fomento de propostas que trazem a possibilidade das pessoas reconhecerem a humanidade e a existência do outro, de respeitar a diferença. Nesse sentido, cabe pensarmos como encaminhamento, também, o papel que a Cultura tem diante das questões raciais em nosso município”, emendou Marlina.  

Assista ao I FBMN na íntegra:

Assuntos: Política
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